05.04.12 Dentro do ônibus, na estrada... no banco da frente um pai e um filho. O filho pergunta pro pai o que é a morte. O pai responde: a vida é um empréstimo que a natureza da pra gente. Ela nos dá a vida para aproveitarmos bastante, só que depois a gente tem que devolver. Isso é a morte! Satisfeito com a resposta o menino pergunta onde o coelhinho da páscoa mora.
Só 10% é mentira
Coletânea de histórias colhidas do cotidiano e enviadas por SMS.
domingo, 29 de abril de 2012
04.04.12 Eu estava andando na rua quando percebi que estava numa encruzilhada. Dois garis discutiam quem iria varrer a farofa, frango, cachaça e vela. Um dizia que não poderia mexer por causa de sua religião, o outro falava que aquela rua não era dele, ele não tinha que varrer aquela rua. O primeiro questionou dizendo que o Trabalho estava entre as duas ruas. Seria trabalho de quem? Seria Trabalho para quem? O segundo falou que não podia mexer naquilo, corria risco da macumba vir para ele. O primeiro segurava uma vassoura e disse que seu braço começou a doer. Parecia que aquilo nunca iria se resolver, começaram a contar histórias...Os dois conversavam em pé e todo aquele ritual bem aos seus pés. No fim, fizeram o sinal da cruz e cada um seguiu pela sua rua. Não seriam eles que estragariam o Trabalho de outra pessoa.
01.04.12 Na minha janela entra o vento que vem do mar... ele é soprado lá da linha do horizonte. Pelo caminho vai entrando nas casas e também se espreme por entre os prédios caminhando pelas ruas movimentadas de Copacabana. Quando enfim ele acha que terminou o serviço, ele encontra uma pedra no meio do caminho que o faz dar meia volta e se lembrar que esqueceu de uma janela, a minha. Ele entra, sopra o incenso de terra molhada e vai até a cozinha se juntar com o cheiro do bolo de chocolate que acabou de sair do forno. Fazendo hora extra, ele vai até a casa da vizinha para deixá-la com vontade de comer bolo.
08.09.11 Ônibus 474: Uma goiaba tão cheirosa veio rolando até mim no ônibus, peguei e sem saber quem era o dono fiquei segurando. As pessoas no ônibus começaram a olhar para o chão, procuravam alguma coisa. A bolsa do rapaz lá da frente havia rasgado. Quando identifiquei o dono, pedi que a pessoa na minha frente fosse passando a goiaba de mão em mão até o rapaz. O cheiro foi se espalhando, o ônibus e as mãos das pessoas ficaram com um cheiro bom!
27.08.11 Sábado, 8 horas da manhã no ônibus para Niterói, sou a única pessoa a entrar em Copacabana. Trocador e motorista conversam. O trocador está apaixonado, fala do seu encanto com um sorriso no rosto. Hoje vai chamá-la para sair. O motorista dá sugestões de onde levá-la. O trocador está indeciso. Eles ficam em silêncio e o trocador cochila, alguém faz sinal para o ônibus e ele acorda para rodar a roleta e a conversa continua. Seu encanto se chama Rosimere, morena do pagode, segundo ele. O trocador disse que se ela quiser ele assume o filho dela. O motorista diz para ele ir com calma, tem que aproveitar mais, "filho é muito complicado"-ele diz. O trocador volta a dormir, deve ter ido sonhar com a sua morena.
23.08.11 Ônibus 474: Entrou pela porta de trás do ônibus, quase sem o motorista ver. Sentou-se em um degrau da escada, encolheu o corpo cobrindo-o com uma blusa azul encardido tamanho muito maior que o seu. Menino ou menina? não dava para saber. Na cabeça, um gorro de lã preta...As pessoas iam descendo e seus olhos erguiam-se acompanhando cada um: tênis, sapato de salto alto, sandália, sapato de couro. De repente uma cara de dor: pisaram em seu pé! Nesta hora vi uma unha pintada de vermelho, vi outra! As unhas estavam com um vermelho gasto.Era uma menina! Sua versão feminina durou alguns segundos, apenas para ver se havia machucado. Se recompôs no corpo que não dava para saber se era menino ou menina. O ônibus foi esvaziando e se sentou na cadeira preferencial com os pés em cima do banco, cobertos pela blusa tamanho muito maior que o seu e adormeceu.
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